Cupim: um perigo para os imóveis

4 janeiro 2017
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Nunca subestime aquele pozinho que você encontra pela casa. Num trabalho quase sempre silencioso, os cupins são capazes de comprometer móveis e estruturas inteiras de uma moradia. E, quando são descobertos, é possível que já estejam no local há mais de três anos. A prevenção é a arma mais poderosa contra essa praga.

Cariocas devem ter ainda mais cuidado pelas características da cidade

Para quem vive no Rio, a atenção deve ser redobrada. A cidade oferece as condições que esses animais adoram, como a mata que se mistura com os bairros e a umidade. Dentre as dez pragas que a as dedetizadoras combatem, cerca de 30% das demandas são por ataques de cupim.

E agora, com a chegada do verão, aumenta a incidência desta praga, já que nos dias mais quentes começam as revoadas. São aqueles bichinhos que são atraídos pela luz e que muita gente nem imagina que é cupim!

2 tipos de cupins no Rio de Janeiro

Segundo especialistas, há duas espécies mais recorrentes na cidade.

A Cryptotermes brevis é aquela que ataca a madeira seca e mantém a sua colônia dentro das peças. Conforme os insetos se alimentam, geram fezes no formato de pequenos granulados, aquele “pó” comumente reconhecido como um indicativo de cupim.

A segunda, a Coptotermes gestroi, tem um apetite ainda mais voraz. Correspondem a 65% dos casos de infestação e têm hábitos subterrâneos, mas também podem formar outras estruturas de colônia nas edificações. Eles desenvolveram a habilidade de se instalar dentro da alvenaria, enquanto buscam pela celulose encontrada em peças fixas, como armários, portais e suportes de telhado. Uma vez que entram num prédio, por exemplo, conseguem migrar muito rapidamente pelo meio de instalações elétricas ou paredes, formando túneis construídos com fezes, restos de alimentação e areia do solo.

Ao passarem por estes locais, os bichos produzem uma substância ácida que, somada a restos de fezes e saliva, causa grandes danos ao cabeamento elétrico, com risco de curtos-circuitos. Além disso, quando as infestações são muito grandes, podem comprometer toda a estrutura ou o alicerce da construção, colocando o imóvel em risco de desabamento.

Inseto democrático

Numa ironia cruel, costumamos dizer que existem dois tipos de imóveis: os que já sofreram ataques de cupim e os que ainda vão sofrer. O inseto é considerado um dos mais democráticos que existem, pois ataca imóveis de todos os tamanhos, das mais diversas classes sociais e regiões geográficas.

Por isso a prevenção é tão importante. Os brasileiros ainda não adotaram a cultura de se antecipar ao problema e, muitas vezes, acabam pagando um alto preço por isso.

Alguns cuidados podem evitar as infestações

  • Prefira utilizar madeiras mais resistentes aos cupins, como peroba rosa, peroba do campo, jacarandá, pau ferro, braúna, sucupira e copaíba.
  • Instale telas com malha em portas, janelas e outras aberturas para evitar a entrada de cupins alados.
  • Evite a estocagem de madeira e seus derivados em locais com umidade e pouca iluminação.
  • Vistorie periodicamente rodapés, armários, caixonetes, estruturas de madeira.
  • Prefira estantes metálicas em bibliotecas e arquivos, para não atrair cupins.

Melhor prevenir do que remediar

A maioria das pessoas só procura uma dedetizadora quando verifica o problema. Isso pode sair muito caro. Quer um exemplo? Um armário que custou R$ 5 mil reais pode ser totalmente destruído pelo cupim, até que a infestação seja percebida. Em comparação, um trabalho preventivo teria custado aproximadamente 15% do valor do móvel.

A tradutora Paula Cabral de Menezes tomou um susto quando descobriu os danos que uma colônia de cupins havia causado em sua casa. Ela mora num imóvel construído há mais de cem anos, onde a caixa d’água fica apoiada em uma estrutura de madeira sob o teto da cozinha. E foi exatamente esta base o alvo dos insetos.

Atenção, perigo

Apesar de os serviços de descupinização não custarem pouco, é melhor não tentar acabar com eles por conta própria, pois é bastante perigoso. Quem faz o alerta é o engenheiro florestal Norivaldo dos Anjos, professor da Universidade Federal de Viçosa, em Minas Gerais.

— As espécies têm modos de vida diferentes e um leigo não sabe como agir em cada caso — justifica ele. O professor destaca também que algumas empresas vendem produtos adulterados, os quais oferecem risco à vida das pessoas, durante a aplicação.

— Há compostos à base de querosene que são altamente inflamáveis. Caso entre em contato com uma faísca na rede elétrica, podem causar grandes incêndios — alerta ele, citando o caso da Igreja Nossa Senhora do Carmo, em Ouro Preto, que foi incendiada por causa deste produto. — Além dos riscos, como o querosene evapora rapidamente, a substância tem efeito imediato, mas não residual.

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